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21 jul. 2015
Notícias

Todos contra a corrupção

Um grande encontro suprapartidário de combate à corrupção correu na Capital paranaense entre os dias 14 e 16 de dezembro, no teatro da Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Intitulado “II Mobilização Estadual Contra a Corrupção” – organizado conjuntamente pela Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar) e pela Associação de Câmaras e Vereadores do Paraná (Acampar) -, o evento promoveu o debate entre personalidades das três esferas de Poderes do Paraná (executivo, legislativo e judiciário), com membros da Academia, representantes do movimento estudantil, veículos de comunicação, sociedade civil, servidores das câmaras municipais e um público principal de vereadores e vereadoras de todas as regiões do estado.

Durante a abertura, o Diretor de Programas da FUNPAR, Professor Hamilton Costa Júnior, apresentou uma estimativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Segundo os dados da instituição, foram desviados dos cofres brasileiros nos últimos 10 anos R$ 720 bilhões. “Com o dinheiro que escoa a cada ano para a corrupção, que corresponde a 2,3% de todas as riquezas produzidas no país, seria possível erradicar a miséria, elevar a renda per capita e reduzir a taxa de juros”, explicou.

Além dos anfitriões, o vice-reitor da UFPR prof. Rogério Andrade Mulinari e, o diretor de programas da Funpar, prof. Hamilton Costa Júnior, registraram presença na mesa de abertura do encontro: o presidente da ACAMPAR, Bento Batista; o secretário especial de controle interno do estado do Paraná, Mauro Munhoz, representando o governador Beto Richa; a procuradora-geral do município de Curitiba, Dra. Claudine Camargo Bettes, em nome do prefeito Luciano Ducci; o vereador de Curitiba, Paulo Salamuni (PV); Relindo Schlegel, presidente da Ascam (Associação dos Servidores de Câmaras do Paraná) e Magali Antunes, primeira vice-presidente da Abrascam (Associação Brasileira dos Servidores de Câmaras Municipais).

O cientista político da UFPR, doutor Ricardo de Oliveira, lembrou no primeiro dia de encontro (14), que em lugar nenhum do mundo existe um sistema político perfeito, a prova de corrupção, mas que o combate a este problema ainda deve ser um exercício de cidadania, “o Brasil tem dado passos largos nesse sentido em sua recente democracia”. Referindo-se ao caso específico do Paraná, Ricardo Oliveira destacou que a corrupção ainda é fomentada principalmente pelo nepotismo e o clientelismo.

Para o vice-presidente do sindicato dos auditores fiscais da receita do Paraná (Sindafep), João Marcos de Souza, é necessário o entendimento de que a corrupção se processa em dois pólos, aquele que corrompe e quem é corrompido. “Essa aceitação alimenta a corrupção, principalmente com o ‘dinheiro sujo’, sonegado. Seu combate passa pelo fortalecimento das instituições e pelo aprimoramento de mecanismos de fiscalização e transparência”, salientou.

A quinta-feira (15), marcou uma interessante debate, franco e aberto, entre os principais veículos de comunicação do estado, o Tribunal de Contas e os vereadores. Os ganhadores do Prêmio Global Shining Light Award de Jornalismo investigativo, James Alberti e Sandro Dalpicolo (Jornalistas RPC TV) e, Kátia Brembati e Rhorigo Deda (Jornalistas Gazeta do Povo) estimularam o debate a partir da apresentação da série “Diários Secretos”, de desvendou um esquema milionário de desvios de verbas públicas na Assembléia Legislativa do Paraná (Alep). O conselheiro do Tribunal de Contas do Paraná (TCE), presidente Fernando Guimarães, destacou que os vereadores devem aperfeiçoar os mecanismos de fiscalização das prefeituras, de forma antecipada, evitando assim o prejuízo aos cofres públicos. Guimarães lembrou ainda que a sucessão dos casos de corrupção noticiados na vida nacional não significa que nosso nível de corrupção tem aumentado, ao contrário, até tem retrocedido “o que aumentou foi a quantidade de denúncias, porque a população está cobrando cada vez mais, exigindo seus direitos”.

Dr. Olympio de Sá Sotto Maior Neto, procurador-geral de justiça do Paraná, compartilhou com os legisladores o afinamento de funções entre o legislativo e a atuação de Ministério Público “o ciclo se fecha quando a lei criada na Câmara é efetivamente cumprida”, e destacou o importante momento vivido pelo vereadores, de dar resposta a uma hipertrofia do Executivo “a concentração de poder no executivo muitas vezes causa uma angústia e uma sensação de impotência na atuação dos legisladores. Este ponto deve ser combatido”, frizou.

A “II Mobilização Estadual Contra a Corrupção” integra o movimento da Consocial – Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social, na etapa das Conferências Livres e contou com apoios como: do Governo do Paraná, Ministério Público do Paraná (MPE), Tribunal de Contas do Estado (TCE), Grupo Paranaense de Comunicação (Grpcom), União de Vereadores do Brasil (UVB), Secretaria Estadual do Controle Interno (SCI), Associação de Municípios do Paraná (AMP), Agência de Fomento do Paraná, Companhia Paranaense de Energia (Copel) e Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar).

foto abertura
Mesa de abertura do evento da (esquerda para a direita): a procuradora-geral do município de Curitiba, Dra. Claudine Camargo Bettes; Vereador de Curitiba, Paulo Salamuni (PV); diretor de programas da Funpar, prof. Hamilton Costa Júnior; Vice-reitor da UFPR prof. Doutor Rogério Andrade Mulinari; presidente da Acampar, vereador de Juranda, Bento Batista; secretário especial de controle interno do estado do Paraná, Mauro Munhoz; Magali Antunes, primeira vice-presidente da Abrascam; Relindo Schlegel, presidente da Ascam
painel
Debate que encerrou os trabalhos: Deputado Federal Rubens Bueno (PPS-PR); vice-presidente da Acampar, vereador de Quedas do Iguaçu, Valmor Martins; Deputado Federal Fernando Francisquinni (PSDB-PR); Deputada Federal Rosane Ferreira (PV-PR) – da esquerda para a direita