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21 jul. 2015
Projeto

O futuro das imagens aéreas

O design do objeto desperta a curiosidade das pessoas que visitam a Ópera de Arame, em Curitiba. A equipe de professores da UFPR, em volta do equipamento, organiza o material e faz os últimos ajustes. Rapidamente, seis hélices começam a girar 850 vezes por minuto. Com a rotação, um veículo de 90 centímetros de diâmetro alça vôo, o Hexacóptero. O protótipo flutua no ar e segue para completar sua missão: realizar fotografias e filmagens áreas.

O modelo é resultado de 26 anos de trabalho dos pesquisadores Dartagnan Baggio Emerenciano e de Attilio Disperati, já falecido. Os dois procuravam reduzir o custo da produção de imagens aéreas. Com recursos da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Paraná, gerenciados pela FUNPAR, os professores testaram vários veículos e formatos. O melhor aproveitamento foi do Hexacóptero, que decola sem a necessidade de uma pista, além de ser 80% mais econômico que o sistema tradicional de captura, por aviões e satélites.

“O acréscimo de duas hélices aumenta o peso e reduz a autonomia de vôo, já a subtração compromete o equilíbrio e capacidade de carga”, explica Dartagnan. Segundo ele, o sistema de estabilização integrado ao GPS, o software de controle – com piloto automático – e os seis motores, que garantem fotos sem trepidação, são vantagens do equipamento, quando comparado ao helicóptero guiado por rádio.

Conduzir o protótipo é tarefa de poucos, exige treinamento e conhecimento técnico. Os silenciosos motores possuem 20 minutos de autonomia, tempo suficiente do piloto promover vôos num raio máximo de 3,5 km a 500 metros de altura. “É possível superar essa altitude, mas isso requer um plano de vôo e autorização da Agência Nacional de Aviação Civil”, detalha o pesquisador.

A câmera de 14,2 megapixels presa ao corpo do Hexacóptero reproduz imediatamente o que a lente registra. O material pode ser utilizado em mosaicos fotográficos ou anaglifos, as imagens 3D. A funcionalidade do veículo já desperta a atenção de diversos setores: a construção civil; planejamento urbano e rural; segurança; até o marketing, com a criação de vídeos institucionais ou a cobertura de grandes eventos.

“Recebemos uma proposta do governo de Moçambique de monitoramento dos prejuízos causados pelas enchentes e outras calamidades”, explica o professor. Entre as inúmeras aplicações do aparelho, uma é voltada à agricultura. Sobrevoando uma área de plantio, a equipe consegue verificar a porcentagem de plantas que sobreviveram ou, até mesmo, contar as árvores de uma floresta.

Como a tecnologia é nova na área florestal, os pesquisadores realizaram testes em duas grandes empresas do setor. Também foi promovida outra demonstração em uma companhia de energia elétrica. “Todos os resultados mostraram-se extremamente satisfatórios, um estímulo à difusão dessa tecnologia”, garante Dartagnan. Segundo ele, o futuro do projeto é promissor, “em breve veículos aéreos não tripulados, como o Hexacóptero, serão a opção preferencial para a captura de imagens aéreas”, completa.

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Hexacóptero, equipamento que faz fotos e filmes aéreos
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Imagem aérea vertical, equipamento faz o deslocamento da câmera
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Foto possibilita a determinação da população total de árvores em uma área
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Ópera de Arame em Curitiba, durante testes do Hexacóptero